
Comentário sobre a pesquisa que mostra que para os jovens americanos Beethoven é um cachorro e Michelangelo um virus
• E cadê o porrilhão de informações da Internet? Informação sem conhecimento produz jumento. Tenho dito.
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De Emir Sader
Até um certo momento, a capacidade de compreensão do mundo, e de nós dentro do mundo, esbarrava na falta de informações. Mais recentemente, passamos a sofrer o fenômeno oposto: excesso de informações. Nos dois casos, o que sofre é a capacidade de compreensão, de apreensão dos fenômenos que nos rodeiam, que produzem e reproduzem o mundo tal qual é e nós dentro dele. (...) A informação contemporânea, massificada, fragmentada, atenta contra a capacidade de compreensão da realidade como uma totalidade. Os noticiários de televisão enunciam uma enorme quantidade de informação, sem capacitar para sua compreensão, com um ritmo e uma velocidade que impedem sua assimilação e o questionamento do sentido proposto.
• A diferença entre um alezado e um cara "por dentro", não é a quantidade de informação que ele recebe, mas a qualidade do nexo que se pode estabelecer entre a ruma de dados que chegam todo dia naquela gosminha cinzenta que temos entre as orelhas. Aí, camarada, o que era informação, ou seja, nada, passa a ser conhecimento, ou seja tudo. Quer dizer: Platão é muito mais o cara do que a Globo, brother.
JL
****** De Waltércio Caldas
Hoje em dia, alguns artistas consideram que se pode fazer arte sem ter noção da história da arte, sem ter noção de todas as conquistas anteriores. E tenho a impressão de perdemos muito com essa deliberada ignorância.
• Parece que, além dos Intelectuais-de-Shopping, existem também os Pintores-de-Shopping, ala dissidente dos pintores de parede. Dá-lhes, Waltércio.
JL
****** François Silvestre escreve a ópera de Patu Jairo Lima
Li Esmeralda – Crime no santuário do Lima - de um fôlego. Melhor: de dois fôlegos, já que uma viagem interrompeu a leitura que retomei avidamente ao retorno. E acho que esta é a experiência por que passarão inapelavelmente os que, como eu, se embrenharem na prosa vertiginosa desta novela de François Silvestre. Como na feira de Caruaru alí “de tudo o que há no mundo (...) tem pra se ver”
Desde apelo de vingança no leito de morte:
Compi, o figlio, qual d'un Dio, compi allora il cenno mio Sino all'elsa questa lama vibra, immergi all'empio in cor, vibra, immergi all'empio in cor!*
Até o tesão fulminante que não respeita o espaço sagrado de um santuário:
Invano un Dio rivale s'oppone all'amor mio non può nemmen un Dio, donna, rapirti a me, non può rapirti a me!*
Ou o juramento solene de vingança transferido de mãe para filha:
ma rimaneva la maledetta figlia, ministra di ria vendetta!...*
Tem ciganos, vendettas, paixões fulgurantes, tragédia, juramentos, danças, facas, facas, facas, arrebatamento, machismo, buena dicha, fogueiras, altares e a impetuosidade lírica de Il Trovatore, a ópera “cigana” de Verdi.
Chi del gitano i giorni abbella? La zingarella!*
E, no livro, a zingarella é a arrebatadoramente bela cigana Esmeralda, pivô da tragédia. A ópera se encena no santuário do Lima, em Patu, RN, e conduz a trama num continuum de paixão e drama.
Se o freguês quiser.
Se não quiser, não faltarão outros ingredientes, menos épicos mas não menos exóticos e estimulantes. E, certamente, mais populares. Imagine o leitor destas linhas o consórcio improvável de uma Agatha Christie, criminóloga, e um Jorge Amado, bocetólogo emérito, e terá uma idéia do que o espera nas 249 páginas desta narrativa plena de mistérios e sacanagem da braba.
De um lado Aghata, intricando os fios, cosendo para descoser mais adiante, adiantando pistas insuspeitas, construindo um detetive fora do estereótipo do gênero: tímido, deselegante, desengonçado, fedorento de suvaco e raparigueiro de hábito e convicção. Um Hercule Poirot do semi-árido. Mas que, do seu ancestral belga, traz o desprezo pela pesquisa de pistas no local do crime; a investigação toda construída na observação psicológica e no raciocínio abstrato.
De um outro lado, o lado Amado, se assim posso dizer, o livro é um grande painel de bocetas, pau duros, trepadas, punhetas, esporros, gala, gala, gala tanta e em tal profusão que ... A história se passa num mundo onde o Viagra amargaria o seu único insucesso mercadológico no Planeta.
Ali não há espaço para o prosaico. Ninguém lê um livro, lava uma roupa, compra um litro de feijão, troca um dedo descompromissado de prosa com a vizinha ou simplesmente toma tento na massaranduba do tempo. Não.
Ali mulher dá e homem come.
E nada de beijinhos. Em toda trama só há um beijo. Na mão da cigana Esmeralda. Neste universo em que só o Padre é, obviamente, pedófilo e ama os coroinhas, não há tempo para sussurros líricos, noites enlunadas, dálias, suspiros, íntimas confissões. Do jeito que os gregos gostavam de fazer em suas tragédias. Com menos boceta, é claro, mas com a mesma e feroz determinação. Eu, de mim, gostei. E recomendo.
Homem é homem, deus é deus, cão é cão. E François é o cara.
* Do libreto de Il Trovatore de Giuseppe Verdi
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Lampião no Inferno vai ser montada no RN Jairo Lima
Gilson Ferreira avisa que a peça Lampião no Inferno, de Jairo Lima, será montada pela galera do Curso Técnico para Atores/Atrizes. O texto foi escolhido pelo grupo como TCC “no qual iremos usar todo o conteúdo e experiência adquiridos ao longo do curso". Quando tivermos mais dados sobre a montagem, divulgaremos. Sucesso pras doidinhas e doidinhos e um grande abraço.
****** E-mail para François Silvestre
Esmeralda fez boa viagem e chegou em paz. Encontrei-a quando me acordei da sesta e desci as escadas pra mijar no banheiro de baixo, porque o de cima tava sem água. Rasguei o embrulho rapidamente, sentei pra dar só uma olhadinha no livro, a bexiga estourando, e terminei lendo toda a "Oferenda". Saí correndo, o mijo quase escorrendo pelas pernas e a cabeça aluada, como se tivesse visto serras. É lindo, meu irmão, o livro começa com fôlego de grande obra, e eu fico abestalhado de conhecer pessoalmente um grande escritor desse mundo. Uma vez, no Rio, assistindo a estréia de E la Nave va, de Fellini, me dei conta de que estava sendo, pela primeira vez, contemporâneo de uma obra prima e pensei, num boteco depois do cinema, no espanto das primeiras pessoas que entraram pra ver o teto da capela Sistina. Hoje foi assim, só que, além de contemporâneo, sou conterrâneo de uma obra prima e posso tomar uma cervejinha, quando quiser e puder, com o Michelangelo da vez. Que atende pelo nome de François Silvestre (tio padre) e é meu irmão e amigo.
P.S. Quando acabar de ler o livro vou te mandar mais umas lorotas.
Jairo Lima
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Doze coisas queu acho uma bosta. Jairo Lima
1 – O mito da sabedoria popular (Alagoas tá elegendo Collor).
2 – Quando dizem que brasileiro é louco por futebol e não explicam que eu estou fora.
3 – Ditador chamado de presidente.
4 – Som alto em carro de agroboy.
5- Agroboy.
6- Embalagem de Polenguinho, aquela que, quando aberta pela fita vermelha, deixa uma gosminha debaixo da unha
7 – Arrogância em imbecil, notadamente em Intelectuais-de-Shopping.
8 – Ditadura chamada de governo.
9 – Jornal que qualifica roubo como desvio.
10 – Comer qualquer merda naquela zueira da praça de alimentação.
11 – Televisor em restaurante.
12 - Daniel Piza, um cara superinteligente e culto, escrevendo abobrinhas sobre futebol, como se faltasse idiotice no mundo.
****** Sobre uma “nova versão” do Bolero, de Ravel, que circula na Internet Jairo Lima
Poucos compositores eruditos tiveram a má estrela de ter uma de suas obras tão derespeitada quanto o coitado do Ravel (mais do que ele só o desinfeliz do Vila-Lobos, que deve girar interminavelmente em sua sepultura enquanto a mundiça faz e desfaz do seu trabalho). Motivo: O tema do bolero é extremamente popular e aí todo filisteu pôe-se logo a fazer "arranjos", coisa sabidamente desaconselhável em música erudita,a menos que o autor do arranjo seja melhor do que o autor do original, o que as vezes acontece, mas é muito difícil. Entretanto, quando Beethoven, por exemplo, cria as suas variações sobre temas de Mozart e Haendel, a obra resultante é de Beethoven e não dos autores do tema. Assim, quando você ouve o oratório ”Judas Macabeus” de Haendel, você está ouvindo Haendel; e quando você ouve as magníficas variações para piano e violoncelo sobre temas deste mesmo oratório (Beethoven, opus WoO 45), você está ouvindo Beethoven. Simples, né? Agora, veja: o Bolero de Ravel é um tema simples, marcado por um ritmo hipnótico, implacável. Então, onde está a "jogada" da obra? Justamente na exposição reiterada (18 vezes) deste tema sobre diferentes e nunca repetidas nuances cromáticas. E é justamente isto o que o tal “arranjo” destrói, mela, joga no lixo. Ou seja, o filisteu quando decide "arranjar”, mantém indevidamente o nome de Ravel na obra, cuspindo no prato em que está comendo. A razão é conferir qualidade “erudita” à mixórdia que ele preparou em sua própria cozinha pop. E aí tome Ravel para justificar abordagens kitschs da obra, como naquele abominável e choroso filmezinho francês (Retratos da Vida) de má memória, ou no tal por do sol de João Pessoa, feito para comover uma platéia pop desinformada e ansiosa por compartilhar uma emoção estética “superior”. Aprenderam, crianças? “Versão” ou “arranjo” de música pertence ao arranjador, não ao criador original, pois arte é forma, brother, e quando você criar sua própria concepção de uma obra de Picasso, pelamordedeus não ponha o nome do pobre catalão nos seus rabiscos. Falou?
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Um começo do caralho Jairo Lima
“Pais e Filhos”, de Ivan Turguêniev
Não veio ainda, Piotr? – indagava, em 20 de maio de 1859, um senhor que aparentava uns quarenta anos de idade, saindo sem chapéu à porta da hospedaria da estrada.
****** Batman vai à guerra. Jairo Lima
Num desses canais por assinatura, o Fox Live, flagrei um rápido diálogo em que alguém explicava a um grupo de amigos que as pessoas têm que ser como o batman, brigando quando fantasiadas e fazendo coisas chatas como ir a jantares e museus quando investido de sua verdadeira personalidade. Afora a banal apologia da violência, o que me chamou a atenção mesmo foi o imbecil caracterizar um jantar fino e uma ida ao museu, não só numa mesma categoria de sensação, mas como coisas chatas. Alguem já disse que se Deus deu tantos e tão severos limites à inteligência, porque deixou a burrice solta e sem limite neste mundo? Penso, penso e, em vez de logo existir, fico é cada vez mais perplexo sem entender como pode a jumentice apenas mediana apresentar uma dificuldade de compreensão comparável às proposições das grandes inteligências. O que é mais difícil de entender: a teoria da relatividade ou o “pensamento” de um imbecil como este do programa? Como é que a porra de um ser que chegou ao topo da escala evolutiva pelo desenvolvimento privilegiado da inteligência frente aos demais animais, pode, enquanto indivíduo, retroceder a um estágio infrahumano que se manifesta no ódio e desprezo pela inteligência, ele que é um beneficiário imerecido e ingrato de todo o talento investido no seu conforto e bem-estar sobre este planeta, para o qual ele não deu qualquer contribuição significativa, a não ser gerar mais idiotinhas? Mas, pensando bem, para explodir uma escola com centenas de crianças, ou derrubar um avião com centenas de passageiros, ou aplaudir um genocida em praça pública, ou fazer uma querra ou assistir o programa do silvio santos, a diferença é apenas o grau de periculosidade. Museu é chato. Matar é divertido.
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O paleolítico é aqui. E agora. Jairo Lima
Tá vendo, negão? Arte do paleolítico, saca? Isso pra tu perceber que TODA arte é moderna e contemporânea, ó infiel. Agora, quando tu cisma que a bunduda, peituda e gostosuda Beyoncé faz arte, aí a coisa complica. Se vocês acham que produto industrial e produto artístico não têm diferença, então bom McDonald pra vocês que eu vou pra peixada da cumade.
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Beyoncé quase cai
Durante o show em Florianópolis, a diva escorregou e quase caiu.
• Tu pode? Uma merda desta ser notícia na imprensa mundial? Acho que o mundo vai acabar mesmo em 2012, mas vai ser com uma chuva de cangalhas. E não ficará um jumento vivo sobre a face da terra para assistir aos shows da "diva". O que me lembra um edificante provérbio dos meus matos: merda é bosta, você come porque gosta.
JL
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Jairo: Longe, sempre perto. Marcos Silva
Prezado Jairo:
Como eu não moro em Natal, lamentarei sua mudança apenas pelos que ali residem. Sempre estou perto de vc no espaço virtual, todos os natalenses continuarão a desfrutar desse privilégio. Desejo grandes felicidades para vc em qualquer endereço.
Abraços.
• É verdade, Marcos, somos amigos virtuais. Com um breve momento de "desvirtualização" quando, em visita ao Mercado de Petrópolis com uns amigos, você nos concedeu alguns momentos de sua atenção em uma breve mas proveitosa visita ao Papo Furado. Que espero se repita em algum barzim do Recife ou aqui mesmo de Natal, se nossas agendas coincidirem. Na pauta uma pequena questão que quero discutir com vc: na tradução de poesia, lê-se o tradutor ou o traduzido? Bom, assunto a gente já tem. Só falta providenciar o encontro e a cachacinha.
JL
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Homenagem a Jairo Lima Cleido Freire
Escutarei Wagner; Assistirei Salomé, Madama Butterfly, Tannhäuser; Beberei vinho, cachaça, uísque doze anos e outras coisas; Comerei ginga com tapioca no mercado da redinha, carne de sol no farol bar e buchada de bode da Dona Maria que voce não saboreou, mas um dia irá conhecer;
E, acima de tudo, lerei Dostoievski.
Esses não são versos de saudades e melancolias, e sim, constatacões de uma amizade verdadeira.
P.S. Ah! já estou quase embriagado com coca-cola e gelo, pois ela pura é muito forte.
• Cleido é tão abstêmio quanto três mulçumanos e um testemunha de Jeová juntos. Só bebe coca-cola. Sentava no bar, pedia uma latinha, depois outra, depois outra, e lá pras tantas já soltava o verbo como o que mais desvairadamente bêbado estivesse à mesa. Amigão. Amigo daqueles de parachoque de caminhão. Público. Escancarado. Definitivo. Devo-lhe, além da amizade com um cara inteligente e refinado, favores impagáveis. Amigos que levava ao bar. Ele próprio, de cadeira cativa, literalmente: na Kriterion, a penúltima cadeira do lado direito de quem entrava; no Papo Furado, que tinha mesa redonda, uma cadeira que ficava a nordeste, acho, nunca fui bom com a rosa-dos-ventos. Dizer obrigado é pouco. Adeus é muito. Então fico com um até logo, amigão, ainda nos reuniremos muito pra conversar lezeira entre cocas e vinhos. Que Dioniso, o deus papudinho, abençõe a ti e te perdoe, oh amante da coca-cola.
JL
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Enviado por Rodrigo Levino
Natal
ja disseram uma vez que natal cospe os bons. pode ser. taí sua partida pra testemunhar a favor da tese.
a cidade perde e a perda é irreparável.
haja prejuízo a ser contabilizado.
de cá fica o desejo de sorte no retorno e a saudade de sempre.
um beijo e um abraço
• A morte sugere as grandes confissões. As viagens reclamam as pequenas, as mesquinhas e, porisso mesmo, as mais vergonhosas. Confesso. Tenho orgulho de avô babão por este menino Levino. Como se ele fosse minha cria, bicho nascido e cevado nos meus cercados. E sempre usei impudicamente a sua amizade. Rodrigo Levino? Amigo do peito, sabe, aquele que escreve na Piauí, na Playboy, aquele que escreveu o mais belo livro de crônicas de que se tem notícia por estas partes. Pois é. Usei e abusei do Levino pra me promover, pra fazer inveja pro povo, pra me apropriar de um latifúndio afetivo que só existe na alma. Um dia esse cabra me chega com a notícia que vai pra São Paulo. Fiquei triste pra caralho. Aí, acendi o olho. São Paulo? Ele vai se mostrar muito mais por lá. E eu vou me amostrar muito mais aqui na província, como amigo dele. Rodrigo Levino? Sou assim com aquele menino! Caba bom, ele. Eu, caba safado. O mundo é assim.
JL
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Deu no site do Tácito Costa www.substantivoplural.com.br
Jairo Lima Por Moacy Cirne
Como você, caro Tácito, também desejo boa sorte a Jairo Lima, grande figura humana e um papo excelente. (O seu conhecimento sobre literatura, cinema e música erudita é digno de louvor.) Ainda bem que o seu blogue vai continuar.
Um abraço em todos.
• Basta dizer uma coisa: só tem dois sites que leio diariamente, que nem breviário ou missal . O teu, Cirne, e o de Tácito.
JL
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De Ulisses Pedro Lucas Bezerra
Pra Jairo, François e quem mais tiver tempo a perder sobre 'Ulisses'
É compreensível que nem todos curtam Ulisses, e vejo normalmente o fato de alguém não gostar, não entender, e até não respeitar devidamente o livro de Joyce. Não acho uma heresia e nem pecado não gostar da salada de palavras, pensamentos e soluções estéticas propostas por Joyce. Vou ver se pinço umas coisas que talvez sirvam à degustação do 'Ulisses', se isso é possível a mais alguém. Pra mim é. Primeiro, compreendamos que o livro é quase uma piada. É uma história simples, um dia na vida de um pacato dublinense, que vai se arrastando por meio de pequenos acontecimentos, e não passando disso. Não passa disso mesmo, são quase 900 páginas daquilo que qualquer um pode chamar de enrolação. Quem for lê-lo pensando numa Odisséia como a que se inspirou (e tenho certeza de que ninguém vai ler assim, e seria inocência da minha parte pensar desse modo), claro que vai largar o livro a partir do terceiro capítulo, no máximo. O 'Ulisses' é um dos primeiros livros a ser escrito com total comprometimento na elaboração da linguagem. A graça é justamente essa. A graça é perceber as vozes das personagens, é entender aquilo como uma grande feira assistida, ou uma foda muito demorada que por pouco não chega ao gozo. Por pouco. Acho que não há como não gostar pelo menos do monólogo de Molly Bloom, esse sim chegando ao gozo. Pelo menos trezentas vezes. Então, quem não aguentar uma overdose de frases muitas vezes sem sentido, caminhadas aleatórias, e também com destino, conversas pesadas em uma biblioteca, piadas intelectuais (que, vejam só, não me parecem chatas), livros inventados, listas quase sem sentido, sexo e mais sexo, ver o protagonista defecando e também se masturbando, ouvir uma orquestra distribuída em parágrafos de uma frase só, bebedeiras e sonhos acordados, fumaça e cheiro de chocolate e abacaxi, e gritos de pessoas na rua, e um sabonete derretendo no bolso de Leopold Bloom, entre outras perdas de tempo (que vejo como recompensadoras), leia só o monólogo final, na voz de Molly Bloom. Acredite, amigo, vale a pena.
• Minha bronca com Ulisses é que ele não é "difícil" por complexidade funcional, mas por deliberada ocultação dos elementos estruturadores. Uma enorme palavras-cruzadas que me entedia por absoluto desinteresse. Diferente, por exemplo, da complexidade de uma fuga de Bach, "dificílima" também, mas de uma "necessidade" absoluta. Bach é como uma máquina de mecânica extremamente complexa por onde se introduz um porco e se retira, ao fim, salsicha. Joyca criou um mecanismo no qual vc introduz um porco, o bicho gira, gira, passa por mil engrenagens, é beliscado, puxado, empurrado de lá para cá e no fim resulta que ele sai do outro lado tão porco quanto entrou. Pra quê? Pra nada. Então, continuo a admirar o Joyce pre-ulisses. E a vc, Pedro, que estás escrevendo bem pra cararalho.
JL
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Enviado por François Silvestre
Pode montar o detector de mentira que eu topo. Não entendi nada do ulisses e achei uma boa bosta. Não passei da metade. Ulísses bom é do Homero. Viu a intimidade? E A espera de Penélope de um certo poeta mauriciano. Abraço do irmão.
• François Silvestre falou, tá falado. Também acho o Ulisses de Joyce uma bosta. François leu a metade, eu não consegui vencer trinta páginas daquele saco. E acho Homero o cara! Agora que tenho o apoio do maior romancista destas plagas, quero ver quem vai me olhar atravessado. Viva François Silvestre. Morra o Ulisses de Joyce.
JL
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Falou e disse: Fernando Monteiro
Gosto do Joyce pré-“Ulisses” – e acho que ele não entendeu toda a lição de Dujardin (pelo menos em Os loureiros estão cortados, que é de 1888). E, sim, Joyce ainda tinha outro grave defeito: acreditava que era Joyce!
• Também gosto do Joyce dos "Dublinenses". E submeteria, numa boa, cada apologista do "Ulisses" ao teste do detetor de mentiras. Quem topa?
JL
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Parque Dona Linu? Jairo Lima
Porque não Parque Dona Edith, que é minha mãe? Ou Dona Maria, que é mãe da Lúcia? Não é para homenagear mães valentes e devotas? Fico puto com esta canalha que faz puxasaquismo político com a MINHA cidade. E a tal Av. Norte José Arraes de Alencar? Nem discutir a homenagem a Dr. Arraes. Ele merece. Mas precisava se perpetrar este horror? Hem, Bandeira, hem Carlos Pena Filho, hem Capiba? Recife não tem mais recifenses?
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Discordo do Marcelo Coelho
quando ele diz que ninguém gosta de ser enganado. Ningúem, não. Intelectual-de-Shopping gosta. Adora. O jogo dele é o máximo de afetação "intelectual" com o mínimo de esforço mental. Esta, aliás, é a chave para se entender certa "arte" contemporânea. Posar de conhecedor profundo de águas rasas é a meta suprema. E haja bosta no urinol de Duchamp.
JL
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Meu caro Laurence Bittencourt
Querido e corajoso amigo, vc comprou uma briga sem tamanho com um bando de analfabetos musicais que, em nome do politicamente (argh!) correto afirmam candidamente que os sapos são iguais aos navios porque são vistos sempre próximos à água. Moliere, em frase lapidar de sua peça "As Sabichonas", fala dos que, para se mostrarem iguais aos gênios, imitam-lhes o modo de escarrar. Os shoppings intelectuais estão cheios destes cuspidores que, falseando a mais elementar verdade, tiram do povo a possibilidade de acesso aos bens culturais superiores (superiores, sim, vocês podem estourar de raiva, mas são superiores, sim) sugerindo que a arte popular é tão importante quanto a suposta, para eles, arte erudita. Ou que, simplesmente, não existe diferença entre Meu Limão, Meu Limoeiro e a Tocata e Fuga em Ré. A tchurma confunde, deliberadamente, arte, artesanato, ritos sociais tradicionais, indústria do entretenimento, o caralho a quatro; botam tudo num mesmo saco e sentam em cima. São os defensores da "cultura" este tudo que é nada. Assim, é só deixar o povo como está. Pobre, explorado, submisso e, sobretudo, ignorante. Afinal, para que se esforçar se futebol é arte, jogador é herói, motorista de carro de corrida é gênio e Michael Jacson foi o mais importante fenômeno artístico do século passado? Ou seja: para que estudar, ou fazer qualquer outro esforço intelectual se já nascemos institivamente habilitados para o usufruto das mais ricas benesses do espírito? E esta turma, reaça e conservadora, pasme, posa de esquerda. Combine isto com governantes analfabetos e o resultado é a consagração institucional deste abestalhamento abissal que nos retira da penumbra contemplativa do teatro para a vulgaridade ensolarada e participativa do circo.
P.S. Quer fazer um teste? Pergunte a um abestalhado destes, sem dar tempo para ele consultar a Wilkipedia, o que é uma fuga. E depois me diga.
JL
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Comentário sobre um post do Coronel Maciel
Talvez, Coronel, o preconceito estúpido, desculpe o pleonasmo, favoreça os tratantes ainda mais do que a loucura. E para ele não podemos ter a compreensão que temos para quem se encontra num estado de alteração da consciência do qual não tem culpa. Já o preconceituoso, sempre covarde, sempre solerte, afirma e proclama um demérito inexistente só para, denegrindo o caluniado, exaltar o pequeno canalha que se julga superior.
JL
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Padres, putas, pilotos e heróis. Jairo Lima
Além de dirigir carros e comer loiras, não se sabe de mais nada que seja feito pelos chamados pilotos de Fórmula I que possa ser assinalado como socialmente relevante. Nem por isso, a cidade de Natal deixou de dedicar uma avenida a um motorista milionário chamado Ayrton Senna. Natal só, não, tudo o que foi cidade do Brasil dedicou pontes, hospitais, vulcões, fontes, hoteis, puteiros, ao intrépido motorista de São Paulo. A imbecilidade, realmente, não tem limite. Se era para dar nome de motorista a uma avenida de Natal, porque não falaram comigo que eu iria sugerir seu Edson, este sim um herói, valente pai de família que sustenta mulher e filho com seu trabalho pesado e mora em Emaús, bem perto da tal avenida? Agora, o que acho mais engraçado neste filhos das putas que enaltecem e enriquecem inutilidades como padres e jogadores de futebol, é que, quando têm uma gripe, recorrem à ciência e aos cientistas que tanto desprezam. Porque não vão se tratar com uma destas celebridades vazia produzidas aos milhares, todos dias, pela indústria cultural? Alias, até onde eu sei, lixo cultural é o único tipo de dejeto não reciclável. E que pode permanecer contaminando a natureza humana por muitos e muitos anos.
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Ética (ou falta de ética) potencial Por Marcos Silva
Caro Jairo:
Comentando o romance de François Silvestre, vc assinalou que tanto a puta quanto o político de elite não têm ética. Penso que a puta e o político de elite podem não ter ética, comumente não têm. Mas também podem ter, é só querer. Eu ainda penso que algumas pessoas no planeta – eu e vc, por exemplo – têm (temos) ética.
Sobre a ética das putas, recomendo a velha peça de Sartre “A puta respeitosa” – ele não era grande dramaturgo mas tinha umas idéias interessantes.
Sobre a ética dos políticos, não me ocorre nada agora. Mas deve haver algum com ética, como na bela canção “Infidelidade”, de Ataulfo Alves:
“Não julgo todas por uma Pode ser que haja alguma Com pudor e coração”
(Matéria postada no site www.substantivoplural.com.br)
• Meu caro Silva, como vc diz no título do seu post, a falta de ética entre putas e políticos (e, por extensão, entre cidadãos de qualquer classe social) é potencial, não obrigatória. Na verdade, a minha manifestação foi contra uma certa visão maniqueísta do mundo em que se elitiza os pobres e se exclui os ricos. Ao meu ver, pura hipocrisia. Não se faz justiça social com inversão axiológica de marcadores sociais, mas sim com um estado de direito que assegure o exercício pleno da democracia. Né não?
JL
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Entrevista de Jairo Lima para Sérgio Vilar
O poeta, dramaturgo e publicitário Jairo Lima teceu comentário a respeito do que considerou o seu destaque do ano entre os livros lidos: Remanso da Piracema (Editora Bakunin), de François Silvestre. Embora o melhor livro na opinião do poeta, as críticas à obra vieram à proporção dos elogios. "Discordo e adoro esse livro. Como discordo da idéia de estado e igreja de Dostoievski ou do conceito de imortalidade da alma de Sócrates. Mas são autores que admiro. Talvez por isso o livro de François tenha sido o melhor", iniciou.
Segundo Jairo, Remando da Piracema peca pelo maniqueísmo entre a elite demonizada e a maravilhosa plebe. "A falta de ética está presente em qualquer classe social: na puta ou no político. François erra já na primeira frase do livro quando diz: 'Este livro não foi escrito para intelectuais insulares'. Ora, o livro foi escrito exatamente para eles. O povo que ele tanto enaltece despreza seu trabalho". Outra falha apontada pelo poeta está nos textos "maravilhosamente bem escritos" por personagens simples, teoricamente incapazes de tal verve literária.
Apesar das críticas, Jairo reconhece no livro uma prosa poética de qualidade."François não abusou da metáfora. É um livro extremamente equilibrado, bem escrito. O que vale na literatura é a forma. E esse foi o melhor livro dele. É de não se conseguir parar de ler, um texto gostoso, ritmado. A passagem de um cara que chega de bicicleta em Caicó é digna dos grandes escritores". E conclui: "Não aprecio os ingredientes do livro, mas a sopa ficou maravilhosa".
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Tortura nunca mais? Jairo Lima
Me adverte um entusiasmadíssimo João da Mata da existência, em Natal, de um bar que atende pelo nome de Bar do Rei e cuja especialidade é tocar, o tempo todo, música (sic) de Roberto Carlos. Como diria Duchamp, pra quem gosta de merda é penico cheio.
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Agenda de um abestalhado Jairo Lima
Avatar? Hoje assisti foi Aida, sob a regência iluminada de James Levine, com Aprile Millo no papel-título. Coisa de bestalhão, como eu – lembrem-se que intelectual é quem usa o intelecto (rs) e, como eu evidentemente não uso, sou uma ameba que consegue “perceber” Arte e assistir ópera se embebedando com Chateauneuf du Papes.
E agora vou parar que amanhã vou ter um dia cheio. Tenho que falar com um intelectual que conserta sapatos (o meu descolou o solado) e depois com outro intelectual que vende cachaça la pro bar. Ah, sim, e tenho que passar no Hiper para falar com o intelectual responsável pela troca de produtos, pois hoje comprei um ventilador lá e o bicho chegou em casa sem funcionar.
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Santa hipocrisia Jairo Lima
Tenho pavor das pessoas que dizem que a literatura não serve para nada. Ora, caralho, nunca vi um livro escrito por outro livro, livro é escrito por gente e é nisto que se cifra o seu esplendor ou sua ruína.
Quem não gosta de livro, não gosta, certamente de gente. Não confio. Um caba desse ou está querendo ser 31 de fevereiro, para se jactar de inteligente, original, ou santarão social, ou está rompendo em definitivo com o humanismo, e aí, saia de baixo que ele está a um passo da monstruosidade.
Tem leitor erudito que é fila da puta? Claro, porque livro é gente e tem gente que é fila da puta. Agora, querer viver num mundo ágrafo só para construir um mito pessoal em que o universo começa no dia em que o idiota nasceu, não é apenas uma estupidez. É um perigo. Não gosto de caba que não gosta de livro, que não bebe, que não fode, que não gosta de coca zero, que despreza buchada e detesta tapioca, sobretudo com ginga. Queria ver se esse fila da puta tivesse um câncer se ele procuraria um médico “formado na escola da vida”.
Para isto, a academia presta. Mas, quando se trata da alta cultura, que nossa sociedade relega a última posição em sua invertida escala da valores, aí acadêmico só do Salgueiro.
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Ainda o erudito e o popular Jairo Lima
Concordo: Um trem de passageiros não é superior a uma jaboticabeira florida. Discordo: Um trem de passageiros não é igual a uma jaboticabeira florida. Entenderam, crianças? Se não entenderam o tio repete.
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Comentário sobre um texto de Luiz Felipe Pondé Jairo Lima
Você tem toda a razão, Pondé, a repressão da diferença que faz diferença chega ao auge, na verdade, na idéia fenomenal de que não existe diferença entre arte erudita e popular. Só para a preguiça intelectual posar de opção estética e não se sentir hierarquicamente discriminada. E viva a jumentice!
JL
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Vai ser do caralho Jairo Lima
Como não há diferença reconhecível entre arte popular e erudita, vou propor pra Prefeitura de Natal que, para o ano, em vez do Carnatal, se encene, no mesmo local, o ciclo completo das óperas wagnerianas. Cada ato será apresentado num trio elétrico diferente. Nos camarotes especiais haverá apresentação de um quarteto de cordas no intervalo entre um trio e outro. Vamos lá, gente, vamos começar a produzir os abadás para a multidão que vai superlotar o corredor da folia. Não é tudo a mesma coisa? Então vai ser o maior sucesso!
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O triunfo da imbecilidade Jairo Lima
Nem a campanha contra o cigarro é tão sistemática e antiga quanto a campanha contra a inteligência. O mito do imbecil iluminado está em todo super-heroi (vide Capitão Marvel, Superhomem etc) cuja mutação se dá a partir de um rematado idiota (Clark Kent & Cia); já os bandidos, estes são inteligentes e cultos, ou melhor, "gênios do mal". Outra figura repetida à exaustão é o imbecil cochilando na apresentação de uma ópera ou ballet, talvez um dos mais recorrentes clichês do cinema americano (o detalhe é que o dito imbecil, claro, é o herói da história).
JL
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A meio pau Jairo Lima
Vão cair de pau em mim, mas prefiro o Bandeira tradutor (de poesia) à própria produção do poeta. Sua obra-prima é a tradução do Macbeth, texto que, a exemplo do de Arrigo Boito, com a sua tradução do Otelo para a língua de Dante, supera o próprio Shakespeare. Fico imaginando o alto nível que teria sido alcançado por Bandeira se não se sentisse obrigado a criar seus porquinhos, da Índia ou não, dentro do chiqueiro ideológico do modernismo.
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Achismo Jairo Lima
Acho o Augusto dos Anjos a apoteose do kitsch. Mas o povo acha que não. E quem sou eu, obscuro poetinha provinciano, para achar nada? Eu, hem...
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Mia Couto e eu Jairo Lima
Mia Couto me fez ler 277 páginas da mais enfadonha literatice para me dizer que só o sexo dá sentido à vida. Eu já sabia.
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O sim e o não Jairo Lima
Calma, calma, gosto da arte popular, sim. Não gosto de monocultura, não.
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Falou e disse: Luciano Trigo.
Embora a arte (...) exalte o pluralismo e o relativismo, isto é, o convívio pacífico das mais variadas propostas, mesmo as mutuamente excludentes, na prática o que prevalece é o que chamo no livro de “arte por designação” – ou seja, aquela arte que não depende mais do talento, da vocação, da técnica, do aprendizado, mas simplesmente da declaração pelo artista de que alguma coisa é arte – e da sua capacidade de inserção no “sistema da arte”. Contudo, a origem do procedimento da “arte por designação” não é nada contemporânea: está na roda de bicleta e no urinol que Marcel Duchamp designou como obras de arte em 1913 (!) e 1917 (!), respectivamente.
• Tá vendo o que o hômi tá dizendo? Agora, quando eu falo disso todo mundo espia de banda. Insisto: o problema não está em existirem tais manifestações "artísticas" mas, sim, nessa merda, colhida diretamente do urinol de Duchamp, ser chamada de arte. Isso é o que confunde a cabeça da rapaziada. E produz sempre mais "artistas" quase que no mesmo número da população. E haja lançamento na Siciliano!
JL
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Miolo de pote. Jairo Lima
Estou acabando de ler Antes de Nascer o Mundo de Mia Couto. O de sempre. Alta confeitaria, baixos teores nutritivos. Se a gente continuar a consumir este tipo de literatura ornamental e indigente vai morrer de desnutrição intelectual. Ou de diabetes, haja visto o alto teor de açúcares líricos despejados com mão pesada pelo autor sobre o escrito. Chato. Chato de doer este Guimarães Rosa de segunda água.
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De Jairo Lima
Mantenha a burrice em lugar seguro, fora do alcance das crianças.
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De Jairo Lima
Poesia virou bolo de liquidificador. Todo mundo sabe fazer.
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Preço e valor Jairo Lima
Engraçado. Quando eu era sebista me entrava um cara com uma camisinha de malha Lacoste de 150 mirréis, um tênis de 400 paus, um óculos escuro de 150 reais e pegava um livro de míseros 30 reais para reclamar que era caro. Livro não é caro porra nenhuma. Livro, no Brasil, não tem valor. Isto é outra coisa. Ou seja: livro não serve para comer ninguém, nem para enganar o chefe no trabalho, nem pra dar status na conversinha no bar da esquina e, por isso, não merece qualquer "sacrifício" financeiro. Livro não serve pra nada. Só pra ler, pensa o imbecil e revira os olhos.
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O nome do filme Jairo Lima
Na minha lista de Filmes de Câncer, esqueci o nome de um filme que acabo de assistir no Hallmark Channel de novo: chama-se "Um Amor para Recordar" e a mocinha não morre do coração, não, morre de leucemia mesmo, bem no gênero, e o sonho dela é ter um telescópio maior (ela já tinha um meio mixuruca que ela mesma tinha coisado), que é construído pelo mocinho que ainda casa com a bichinha antes dela morrer. O nome dele é Dalton, o nome dela é Jamie e o nome do pai dela ou eu já esqueci ou não falam no filme.
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Os dez melhores Filmes Bestinhas de Todos os Tempos Jairo Lima
(Definição: Filme Bestinha é aquele que você sai encantado do cinema, feliz da vida, pisando em nuvens e diz pra todo mundo que o filme é uma idiotice, alienado, alienante, piegas, escapista, uma merda.)
Campeão: Sissi, a Imperatriz (foto)
A noviça Rebelde
Mamma Mia
O Mágico de Oz
Em cada coraçao uma saudade
Marcelino, pão e vinho
Quando o coração floresce
La violetera
Os dez mandamentos
Música e lágrimas
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O dez melhores Filmes de Pipoco de Todos os Tempos Jairo Lima
(Definição: filmes de alta tecnologia com efeitos sonoros especiais e que só prestam para serem assistidos em cinemas com dolby sorround. Vistos na TV, ou nos cinemas com sistemas de som comuns, passam imediatamente para a categoria de Filme Bestinha.)
Campeão: Terremoto
Armagedon
Independence Day
Guerra nas Estrelas
Tora, Tora
Guerra dos Mundos (foto)
Matrix
Jurassic Park
Volcan
Godzila
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Os dez melhores Filmes de Câncer de Todos os Tempos Jairo Lima
(Definição: Filme de Câncer e todo aquele filme em que o protagonista contrai uma doença incurável e morre. Portanto, se o personagem se curar a película passa imediatamente pra categoria de Filme Bestinha.)
Campeão: Love Story (foto)
Lado a Lado
Flores de Aço
The Philadelphia story
As baleias do outono
O Mestre
Suplício de uma saudade (este é uma forçada de barra porque o caba morre é na guerra, mas, por analogia, cabe na categoria, desde que vc considere a guerra uma doença incurável, pelo menos metaforicamente).
Este filme eu não lembro o nome, passou na televisão, é de uma mocinha doente do coração que tem um sonho, que não lembro também qual é, e que este sonho é realizado, com grande sacrifício, pelo namorado também adolescente. No fim a bichinha morre, incluindo o filme na categoria.
Melodia Imortal
Tarde de Mais para Esquecer (neste filme Deborah Kerr não morre, fica paralítica, mas no fim a gente não sabe se Cary Grant vai ou não casar com ela. Como ela não se cura, o filme não pode ir para a categoria de Filme Bestinha, logo...
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Para você não dizer que não falei dos festivais ditos literários. Jairo Lima
Aprovo com entusiasmo toda badalação em torno de livros. Porque parte ínfima deles trata de literatura, um troço que eu adoro. Então, se aumenta o venda de livros, aumenta também o bolinho dedicado à arte de escrever. Isto é uma coisa. Outra coisa é me abalar pra Pipa pra ouvir Lobão e Danuza Leão falarem merda. Aí, me poupe, camarada.
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A propósito de um comentário do Chico Moreira Guedes sobre a diferença entre uma sinfonia de Beethoven e um fandango de Boi de Reis.
Parabéns, grande Chico, pela coragem moral e lucidez. Você nunca me surpreende, mas sempre me encanta. Mas, receio que a sua heresia vai lhe custar caro. Então o amigo não sabe que a Tocata e Fuga em Ré (não vou dizer o autor de propósito, os abestalhados que dêem um google) tem o mesmo valor de Atirei o pau no Gato? Não só o mesmo valor, mas também a mesma natureza, propósito e efeito. Ninguem ainda te disse que não existe arte musical fora do balacobaco e do sacolejo? Será, meu bom deus, que a galerinha relativista nunca vai perceber que o que eles imaginam ser uma louvável atitude de respeito ao popular é apenas uma abjeta negação da Arte? Numa recente discussão sobre as maiores cantoras brasileiras, ninguem lembrou de Bidu Sayão. Não é engraçado? A escola de samba lembra e homenageia. Os intelectuais não. Porque esse papo furado do vale tudo nunca valeu, realmente, pro povo, que faz suas opções de acordo com o que lhe ofertam, e emite, sim, juízo de valor sobre o que a eles se apresenta. E não é burro de confundir alhos com bugalhos. Quem quiser saber pra que lado sopra o preconceito, preste atenção no que se ouve nos sons dos carros dos agro-boys. Bethoven ou Calcinha Preta? Diga aí, brother.
Jairo Lima
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O balé é o compromisso possível entre a metafísica de Kant e um quilo de alcatra.
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A polidez é a intolerância enluvada.
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Caderno de cultura quase sempre é o latifúndio da monocultura. E eu sou o MST deles.
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Sabe porque que quando um Intelectual-de-Shopping morre seu cérebro fica do tamanho de uma azeitona ? Porque incha!
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Entreouvido no shopping Jairo Lima
Não, não, Intelectual-de-Shopping não é o que está comprando, como todo mundo; é o que está na prateleira.
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Piadinha clássica revisitada e atualizada
O Intelectual-de-Shopping está na rua puxando um burro, quando alguém pergunta: - Onde conseguiu este animal? - No shopping - responde o burro.
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Darwin segundo um Intelectual-de-Shopping Jairo Lima
A banda de rock é a evolução da orquestra sinfônica. Diga aí, brother.
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Ainda bem que não tinha shopping em Milão Jairo Lima
Estou tão puto com umas coisas que tenho lido de alguns Intelectuais-de-Shopping esta semana que decidi desta vez não falar por metáforas mas ir direto ao assunto. Olha aqui, galerinha: Em 1887 Verdi compôs uma ópera arretada, Otello, com um libreto escrito por Arrigo Boito que não deixa nada a dever ao próprio Shakespeare. Depois, foram seis anos na moita. Até que a dupla reaparece em 1893 com Falstaff, que só pode se comparar a Gaudi, porque neguinho não tinha feito nada parecido com aquilo antes, e até hoje continua insuperável. Agora imagine que tivesse lá por volta de 1890 um Intelectual-de-Shopping da marca de vocês em Milão pra dizer que Verdi era um compositor superado por não ter composto nada de interessante nos últimos três anos. Sabe, tipo, "ele só ficou bem na foto até 1887". E aí, ou Verdi teria mandado o idiota pra puta que o pariu ou teria ficado puto da vida, sentindo-se injustiçado, e a gente talvez tivesse perdido o Falstaff. Arte não é moda, brother, não é submissão a recortes ideológicos dominantes, não é modelito que arrasa na rave de hoje e se incompatibiliza com a novela de amanhã. Te orienta, coisa.
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As grandes causas públicas. Jairo Lima
Foram abertas as inscrições para o concurso do Ministerio dos Projetos Phantasmagóricos, cujo titular é o eminente cientista Pitombeira Unger, que contratará 5000 Intelectuais-de-Shopping.
Exige-se: Mais de dois anos de experiência em encontros de escritores e blogs.
Oferece-se:
Salário inicial de 50 mil reais. Plano de Saúde na Suiça. Cidadania italiana. Castelo no Piauí. Mansão no Lago dos Cisnes. Licença-prêmio remunerada de 20 anos. Licenças paternidade, permissividade, maternidade, fraternidade, ociosidade, obesidade e vagarosidade.
Inscrições no www.tremdaalegria.gov.br Serão abertas 282 diretorias e uma porrada ainda não determinada de cargos comissionados.
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