Da literatura – O amor e as paisagens na moral Leonardo Neves
Para os tolos os circunlóquios que descrevem impossíveis imagens, comoventes imagens... Para as mulheres a boa impressão das frases, das posturas; o desvelar de mimos e maternidades.
E o amor, correto e intratável, o amor envergonha-se. E as paisagens, subjetivas e prolixas, as paisagens inexistem.
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O rio é uma varize. Para os amantes as paisagens, O naturalismo das flores. Para os outros a nece(ssi)dade
da idéia fixa, as questões da raça e da fé.
Para os tolos o impressionismo das telas, a ambientação; a moralidade da estética. Para as mulheres a vergonha do bíceps, da animalidade do sexo; a intocabilidade da musa. ___________________//_________________________
E o canto terá de vir do sossego dos bosques; do apito das fábricas apenas o testemunho do quê que a humanidade perdeu. Para os tolos a negligência para com certas relações: o céu de faiança e não de nada.
Para as mulheres as valentias e mentiras, as noites de lua cheia, as bebidas doces, o vinho branco. E o canto terá de pulsar na varize, no rio de varizes, dos troncos, do pênis. __________________//________________________
( na minha terra há grandes canaviais e mangues. há escritores e poetas, e uma literatura que muito não me agrada. há praias de paisagens inéditas e bois naquela eterna solidão de gado. na minha terra mesmo quando chove há mormaço; há belas mulheres e algumas delas são como flores: adoram merda. vocês deveriam conhecer meus amigos – todos bebem e alguns deles escrevem muito bem. ) ______________//______________________________
No poema o amor em pequenas doses, o amor transitório das beberranças e noitadas. No poema as paisagens desoladas, as paragens mortas; a realidade solitária da matéria.
E o amor, incapaz de conhecer tais escórias, o amor inexiste. As paisagens envergonham-se.
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