Papo Furado by Jairo Lima
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Banca do Leonardo Neves
Da literatura – O amor e as paisagens na moral
Leonardo Neves

Para os tolos os circunlóquios que descrevem
impossíveis imagens, comoventes imagens...
Para as mulheres a boa impressão das frases,
das posturas; o desvelar de mimos e maternidades.

E o amor, correto e intratável, o amor
envergonha-se.
E as paisagens, subjetivas e prolixas, as paisagens
inexistem.

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O rio é uma varize. Para os amantes as paisagens,
O naturalismo das flores. Para os outros a
nece(ssi)dade

da idéia fixa, as questões da raça e da fé.

Para os tolos o impressionismo das telas, a
ambientação;
a moralidade da estética. Para as mulheres a vergonha
do bíceps, da animalidade do sexo; a intocabilidade
da musa.
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E o canto terá de vir do sossego dos bosques; do
apito
das fábricas apenas o testemunho do quê que
a humanidade
perdeu.
Para os tolos a negligência para com certas relações:
o céu
de faiança e não de nada.

Para as mulheres as valentias e mentiras, as noites de
lua cheia, as bebidas doces, o vinho branco. E o canto
terá de pulsar na varize, no rio de varizes, dos troncos,
do pênis.
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( na minha terra há grandes canaviais
e mangues. há escritores e poetas, e
uma literatura que muito não me agrada.
há praias de paisagens inéditas e bois
naquela eterna solidão de gado.
na minha terra mesmo quando chove
há mormaço; há belas mulheres
e algumas delas são como flores:
adoram merda.
vocês deveriam conhecer meus amigos –
todos bebem e alguns deles escrevem
muito bem. )
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No poema o amor em pequenas doses, o amor transitório
das beberranças e noitadas. No poema as paisagens
desoladas,
as paragens mortas; a realidade solitária da matéria.

E o amor, incapaz de conhecer tais escórias, o amor
inexiste.
As paisagens envergonham-se.




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