
Poema orgânico Sonia Bierbard
Eu que não comungo nas entranhas eu não sei com quantas desistências represarei a palavra líquida não sei de quantos eus necessito para apenas ser e quando por fim chegar a hora com que voz saudarei minha chegada eu que não sei em que corpo estelar romperá o amanhecer de mim.
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Pausa Sônia Bierbard in Linguagem Submersa
Todas as horas se passaram anoitecendo poemas
um estranhamento inunda meu olhar transbordando ausências: momentaneamente não sou estendo no tempo o passo inaugural
trago preso um clarão desvairado relâmpago desnudo que liberta o grito latejante
escuto o rumor ensangüentado pelas vidas que perdi levanto este corpo inútil dou voz a este espasmo musical e salvo-me deste descompasso que silencia o sonho
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